O último dia do Festival de Boi Duro foi daqueles que ficam guardados na memória e no coração. Do primeiro toque do tambor ao último aplauso, a noite foi marcada por emoção, arrepio, alegria e orgulho cultural. A praça ficou completamente lotada, tomada por famílias, jovens, idosos e amantes da tradição, todos unidos para viver um espetáculo que foi muito além da competição: foi celebração da identidade do povo.
Abrindo a arena, o Boi Barão trouxe a força de quem carrega história. Mantendo o estilo de escola de samba, o grupo apostou na cadência conhecida e na animação que já faz parte da sua essência. Sem grandes mudanças, mas com muita energia, mostrou que tradição também é constância e respeito ao que foi construído ao longo dos anos, levantando o público logo no início da noite.
Na sequência, o Boi Ai Se Eu Te Pego entrou com brilho, cores e exuberância. O puxador Jumarim foi um espetáculo à parte, demonstrando coragem, carisma e entrega total. Mesmo com a bateria um pouco desencontrada em alguns momentos, o grupo cresceu, emocionou e fez uma apresentação muito superior à do primeiro dia, arrancando aplausos e colocando o público para vibrar de verdade.
Então veio o momento que marcou a história do festival. O Boi da RBV pisou na arena com postura de quem sabia o que estava fazendo. Desde os primeiros movimentos, ficou claro: era uma apresentação diferente. O grupo apostou no resgate da essência do Boi Duro, trazendo elementos antigos, tradicionais e carregados de significado. Foi emoção pura. O público sentiu, reconheceu e respondeu. Sem sombra de dúvidas, foi a melhor apresentação da noite. Para uma equipe nova, a RBV fez o impensável: surpreendeu, emocionou e colocou no bolso antigos campeões. Na voz do povo, ali estava o verdadeiro Campeão 2026.
E quando muitos achavam que a noite já tinha entregue tudo, o Boi da Cara Preta entrou para fechar com chave de ouro. Nado Lima e toda a equipe deram um show de entrega, criatividade e paixão. Foi a apresentação mais marcante da história do grupo em festivais. Inovação, alegria e tradição caminharam juntas, fazendo a arena pulsar e os corações baterem mais forte. Uma apresentação de arrepiar, que mereceu, sem qualquer contestação, o segundo lugar do festival.
Em um momento delicado, mas de grandeza, o prefeito Iedo Elias demonstrou respeito absoluto à cultura popular. Diante de comentários e da troca de jurados sem aviso prévio aos grupos, tomou uma decisão que acalmou os ânimos e valorizou todos os participantes: todos os bois receberam o prêmio de primeiro lugar, no valor de R$ 3 mil para cada grupo, com a anulação das notas. Um gesto justo, sensível e responsável. O prefeito está de parabéns pela postura. Por isso, não houve entrega de troféu.
Mas quem viveu aquela noite sabe: o campeão não precisou de troféu. Ele foi escolhido pelo povo. O Boi da RBV saiu consagrado nos aplausos, nos gritos e na emoção da praça. Já os bois Cara Preta e Ai Se Eu Te Pego protagonizaram uma disputa emocionante pelo segundo e terceiro lugar, mostrando que o Festival de Boi Duro vive um dos seus melhores momentos.
O Festival se despede deixando saudade e a certeza de que o Boi Duro é resistência, cultura viva e orgulho de um povo. O agradecimento vai para todos os grupos, brincantes, músicos, puxadores, organizadores, apoiadores e, principalmente, para o público, que fez da última noite um espetáculo inesquecível. 🐂🎶💛











































































