O que era para ser mais uma manhã de festa virou cenário de indignação. Nesta terça-feira de Carnaval (17/02), Belmonte acordou no escuro. Um apagão de aproximadamente oito horas atingiu a cidade justamente em um dos dias mais importantes para o comércio e o turismo local.
Enquanto turistas se preparavam para a folia e comerciantes organizavam seus estabelecimentos para atender a alta demanda, a energia simplesmente desapareceu. E, mais uma vez, a responsabilidade recai sobre a concessionária Neoenergia Coelba.
O acidente e a resposta lenta
O problema começou por volta das 05h, após um acidente automobilístico na entrada da cidade derrubar um poste. Os ocupantes do veículo foram socorridos, mas não houve divulgação oficial sobre o estado de saúde.
O acidente, por si só, foi um fato isolado. O que não foi isolada foi a demora considerada absurda pela população.
Segundo informações apuradas, a concessionária precisou deslocar equipes de Porto Seguro para realizar o reparo. Em pleno Carnaval. Com a cidade lotada.
O resultado? Energia restabelecida apenas por volta das 13h.
O episódio escancara uma pergunta incômoda: por que Belmonte não conta com estrutura técnica permanente para situações emergenciais, especialmente em períodos de alta demanda?
Prejuízo imediato e revolta generalizada
Com o município cheio de visitantes, o impacto foi direto:
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Restaurantes temeram perder estoques de alimentos perecíveis;
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Comerciantes deixaram de vender bebidas em um dos dias mais quentes e lucrativos do ano;
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Pousadas e estabelecimentos turísticos enfrentaram constrangimentos diante de visitantes;
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Moradores ficaram horas sem qualquer previsão concreta de retorno do serviço.
Nas redes sociais, o tom foi de revolta. A crítica mais recorrente: descaso com o interior.
Para uma cidade que depende fortemente do turismo e do comércio sazonal, oito horas sem energia não são apenas um transtorno — são prejuízo financeiro real.
A pergunta que ninguém responde: e a rede reserva?
O ponto mais delicado da situação envolve a chamada linha de transmissão reserva vinda de Canavieiras.
Belmonte, teoricamente, possui suporte alternativo para evitar isolamento elétrico em casos como este.
Então surge a pergunta que ecoa nas ruas:
Se a rede reserva existe, por que não foi acionada imediatamente?
Se há sistema de contingência, por que a população foi submetida a oito horas de espera?
Até o fechamento desta matéria, a Neoenergia Coelba não havia emitido nota oficial esclarecendo:
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Por que a rede reserva não entrou em operação;
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Por que não há equipe fixa preparada para emergências no município;
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Se haverá reforço estrutural para evitar novos episódios.
Carnaval às escuras: até quando?
O episódio desta terça-feira não é isolado. Moradores relatam quedas constantes e interrupções frequentes ao longo do ano. A diferença é que, desta vez, o apagão aconteceu no auge do Carnaval — quando a cidade mais precisava de estabilidade.
Belmonte fez sua parte: organizou festa, atraiu turistas, movimentou a economia.
Mas quando precisou de um serviço essencial, ficou no escuro.
A indignação é legítima. E a cobrança também. Porque energia elétrica não é luxo. É serviço básico. E no meio do Carnaval, deixá-la faltar por oito horas é mais do que falha técnica — é falta de respeito com a população.
