Audiência pública discute regras para ‘paredões’ e perturbação do sossego em Belmonte

Debate na Câmara reuniu Ministério Público, Polícia Militar, donos de equipamentos de som e moradores; município terá zoneamento e fiscalização com decibelímetro.

Por Portal do Guaiamum

03/06/2026 11h25 — Atualizado há menos de um minuto

O Plenário da Câmara de Vereadores de Belmonte foi palco, nesta terça-feira (2), de uma audiência pública que reuniu o Poder Público, forças de segurança, representantes setoriais e a comunidade local. O objetivo central do encontro foi debater a regulamentação dos limites sonoros e o ordenamento de eventos na cidade, buscando equilibrar o direito ao lazer e o direito ao descanso dos moradores.

Entre os principais pontos discutidos na reunião estiveram:

  • Limites legais de emissão sonora;

  • Regularização e autorização prévia de eventos;

  • Horários de funcionamento de estabelecimentos e equipamentos;

  • Restrição de menores em eventos com venda de bebidas alcoólicas;

  • Combate à perturbação do sossego e a reprodução de músicas vexatórias.

O evento foi moderado pelo locutor Roberto Lima e contou com uma mesa de autoridades composta pelo promotor de Justiça, Dr. Matheus Daibert; pelo Secretário de Segurança e Cidadania, Major Ricardo (representando o prefeito Iêdo Elias); pela Secretária de Meio Ambiente, Letícia Bitencourt; e pelo Comandante da 5ª Companhia da PM em Belmonte, Tenente Pedro Menezes.

Ministério Público cobra cumprimento da lei

O promotor de Justiça, Dr. Matheus Daibert, alertou que a perturbação do sossego alheio é uma contravenção penal prevista no Artigo 42 do decreto-lei nº 3.688, e que o Ministério Público atuará firmemente na fiscalização dos acordos firmados.

“O direito ao lazer não pode anular o direito ao descanso. A lei existe e precisa ser cumprida. O Ministério Público vai acompanhar a fiscalização. Nosso papel é ouvir a sociedade com equilíbrio. Nem proibição total, nem bagunça. Vamos construir uma lei que funcione para Belmonte”, pontuou o promotor.

Moradores relatam abusos; donos de som pedem área oficial

Representantes de diferentes bairros de Belmonte usaram a palavra para relatar o impacto do barulho excessivo na rotina das famílias e cobraram uma postura mais rígida das autoridades.

“Direito ao descanso é constitucional. Não somos contra o lazer, mas não dá para ter um ‘avião decolando’ na porta de casa às 3 horas da manhã”, desabafou uma moradora.

Por outro lado, os proprietários de “paredões” e equipamentos de som defenderam a importância econômica da atividade para o comércio local e o entretenimento, alegando que a categoria deseja trabalhar na legalidade.

“A gente quer trabalhar dentro da lei. Só falta a prefeitura dizer onde pode e até que horas”, explicou um representante do setor de sonorização.

Próximos passos: Zoneamento e uso de decibelímetro

Como encaminhamento prático da audiência pública, o Tenente Pedro Menezes anunciou que a Polícia Militar, em parceria com a gestão municipal, dará início a um plano de ordenamento urbano. As medidas imediatas incluem:

Medida Como vai funcionar
Zoneamento Urbano Definição exata dos locais onde será permitido o uso de equipamentos de som e áreas de restrição total.
Licenciamento Obrigatório Nenhum evento de som poderá ocorrer sem autorização prévia emitida pelo município.
Fiscalização Rigorosa Uso de decibelímetros pela Polícia Militar e pela Secretaria de Meio Ambiente para medir o volume e autuar infratores.

O comando da PM reforçou que a atuação do órgão será estritamente técnica e integrada com os órgãos ambientais. “Não vamos escolher lados. Vamos organizar a cidade para caber todo mundo”, concluiu o Tenente Pedro.

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