O que era prometido como “renovação” terminou em um dos capítulos mais sombrios da história recente de Belmonte. A gestão do ex-prefeito Bebeto Gama, que encerrou o mandato sob fortes críticas e denúncias de má condução das contas públicas, deixou o município mergulhado em uma crise financeira sem precedentes.
Segundo dados oficiais do Tesouro Nacional, Belmonte aparece como o sétimo município mais endividado do Brasil em 2024, com uma Dívida Consolidada Líquida de 184,8% da Receita Corrente Líquida, índice que ultrapassa, e muito, o limite legal de 120% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Na região, apenas Canavieiras apresentou um cenário mais grave, com 234,5% — o que torna o endividamento belmontense um verdadeiro alerta vermelho.
📉 UM FARDO COMPARTILHADO
Apesar do foco das críticas recair sobre Bebeto Gama, a verdade é que ele não endividou a cidade sozinho. Parte dos vereadores da antiga legislatura, que aprovaram sem questionar projetos, empréstimos e gastos descontrolados, também têm responsabilidade direta no rombo que Belmonte carrega hoje.
Esses mesmos parlamentares, que na época aplaudiam a gestão e se mantinham em silêncio diante dos excessos, agora tentam se apresentar à população como “novos defensores da moralidade”, em um discurso que soa contraditório diante dos números devastadores revelados.
Como observa um analista político local, “a omissão e o apoio cego da Câmara foram combustíveis para o colapso financeiro que atingiu Belmonte. O erro não foi de um homem só, mas de um sistema que escolheu fechar os olhos.”
⚠️ O CONTRASTE ENTRE O DISCURSO E A REALIDADE
Durante o mandato, Bebeto Gama se apresentava como símbolo de mudança, usando um discurso agressivo contra gestões anteriores. No entanto, os dados do Tesouro Nacional mostram que sua administração terminou com um legado de dívidas e compromissos que sufocam o futuro do município.
Os empréstimos e financiamentos de longo prazo muitos deles feitos sem clareza de planejamento ou impacto — hoje comprometem boa parte da capacidade de investimento da cidade, afetando diretamente áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.
💰 O QUE DIZ A LEI
A Lei de Responsabilidade Fiscal determina que nenhum município pode ter uma dívida consolidada superior a 120% da sua receita líquida. Belmonte, com seus 184,8%, não apenas violou o limite, mas entrou para um grupo restrito de apenas 16 cidades em todo o país que extrapolaram esse patamar em 2024.
Na Bahia, o problema é ainda mais grave: o estado concentra 27 dos 50 municípios mais endividados do Brasil, com Uruçuca (373,7%) liderando o ranking nacional.
🧾 CONTAS E RESPONSABILIZAÇÃO
As contas de 2021 e 2022 da gestão Bebeto Gama foram aprovadas com ressalvas pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA), enquanto as de 2023 e 2024 ainda aguardam julgamento. Mas o destino final dessas contas dependerá da Câmara de Vereadores de Belmonte, que tem o poder de acatar ou rejeitar o parecer técnico do TCM.
Agora, caberá aos parlamentares, alguns dos quais foram aliados diretos do ex-prefeito, decidir se continuarão protegendo os erros do passado, ou se vão ouvir o clamor do povo e agir com responsabilidade diante do caos financeiro que ajudaram a criar.
🔍 O FUTURO DE BELMONTE
A população belmontense, cansada de promessas vazias e de gestões desastrosas, espera transparência e coragem política. O momento exige que se reconheça a verdade: o endividamento de Belmonte não foi obra de um homem só, mas o resultado de anos de complacência, omissão e conivência política.
Agora, o desafio é reconstruir a confiança e buscar o equilíbrio financeiro de uma cidade que carrega cicatrizes profundas cicatrizes que não podem mais ser encobertas por discursos de conveniência.
O Portal do Guaiamum mantém sua linha editorial independente e baseada em fatos e o fato é um só: Bebeto Gama não afundou Belmonte sozinho. O colapso financeiro que hoje sufoca o município é resultado direto de uma gestão irresponsável amparada por uma Câmara Municipal que preferiu a conveniência ao dever de fiscalizar. Muitos dos vereadores que hoje tentam posar de “paladinos da moralidade” foram, na prática, cúmplices silenciosos de um projeto político que destruiu as finanças públicas.
O que se vendia como “renovação” virou uma triste repetição dos velhos vícios da política belmontense votos automáticos, aprovações relâmpago e olhos fechados diante do descalabro. Quando o dinheiro jorrava, ninguém questionava. Agora que o caixa secou, surgem os arrependidos de última hora, tentando reescrever a história com discursos moralistas e amnésia seletiva.
Os números não mentem: Belmonte está entre os municípios mais endividados do país, e isso não aconteceu por mágica. A cidade foi saqueada politicamente por quem deveria defendê-la. Vereadores que aplaudiram, aprovaram e se beneficiaram da antiga gestão carregam no currículo a mesma culpa de quem assinava os cheques.
É hora de parar de fingir. A responsabilidade é compartilhada e o silêncio cúmplice também é uma forma de corrupção. O povo de Belmonte merece saber quem realmente contribuiu para afundar o município, e quem tenta agora se esconder atrás de um discurso de “mudança” que nunca existiu.
Enquanto uns tentam apagar rastros, a verdade permanece: Belmonte está pagando a conta de um teatro político onde muitos atuaram e poucos tiveram coragem de dizer não.
