Em Belmonte, tudo parece flutuar entre a superfície da beleza estética e a crua realidade que, frequentemente, fica escondida sob a camada de pintura fresca. A cidade, como um sepulcro caiado, pode até exibir um exterior luminoso e convidativo, mas, por dentro, as questões estruturais apodrecem como vermes que se alimentam de um corpo em decomposição. Este contraste entre a aparência polida e a realidade deteriorada não é meramente uma questão estética; é um reflexo profundo da maneira como a gestão pública tem tratado os desafios que a cidade enfrenta.

A preocupação em manter uma fachada de beleza pura é tão intensa que muitas vezes ofusca a realidade crítica que permeia as ruas e comunidades. Obras inacabadas e promessas que nunca se concretizam estão em toda parte, como uma praga silenciosa que assola Belmonte. Enquanto a população clama por melhorias, o que se vê são intervenções superficiais que não abordam a raíz dos problemas. É como se cada quadro pintado, cada flor plantada, e cada asfalto novo fosse uma tentativa de desfocar a visão da deterioração que se acumula nas sombras.

Os líderes da cidade parecem ter adotado a filosofia de que se tudo parecer bonito do lado de fora, as imperfeições internas não importam. A propaganda enaltece o que há de mais bonito, escondendo o que, de fato, precisa de atenção. Essa lógica resulta em um ciclo vicioso onde o que se vê não corresponde ao que realmente acontece. As reclamações da população aumentam, enquanto as promessas vão se esvaindo num sopro de ilusão.

Como cidadãos de Belmonte, devemos questionar esse estado de coisas. Até quando será aceitável viver em um lugar que se preocupa mais com a imagem do que com a substância? É hora de quebrar esse ciclo de superficialidade e exigir que as mudanças ocorram. Precisamos que a cidade não apenas se vista de bonito, mas que também se preocupe com o que está sob a pintura.

A beleza pura não deve ser apenas uma questão de aparência; é preciso agir de forma que a verdadeira essência de Belmonte brilhe sem precisar de luminescência artificial. É hora de abrir os olhos e encarar a realidade, transformando a cidade não em um sepulcro caiado, mas em um lugar em que a beleza esteja alinhada com a saúde, a vitalidade e a prosperidade de todos que aqui vivem.

É preciso que, assim como os vermes que se alimentam do apodrecido, nós também nos alimentemos da mudança, do engajamento e da reivindicação de uma Belmonte que é mais do que uma linda fachada. Que este seja o despertar para uma nova era, onde a beleza não encobre a verdade, mas a realça em toda sua complexidade.

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