O Carnaval deveria ser um grito de união, uma celebração da alma de um povo que dança, canta e resiste. Mas, neste sábado (1º), o que vimos foi um tapa na cara da tradição: o bloco Unidos do Pagode, com seus 26 anos de história, foi tratado como intruso em sua própria festa. A prefeitura e a Secretaria de Cultura, em um gesto que cheira a desrespeito e algo mais sombrio, vetaram o mini trio que levaria o som do bloco pelas ruas, proibiram o grupo de parar na Praça Principal e, para coroar a afronta, mantiveram o som do palco tocando sem interrupção, ignorando o cortejo que arrastava mais de 2 mil foliões. A pergunta ecoa nas ruas: por que isso só com o Unidos do Pagode?
Não é difícil imaginar a resposta. Perseguição política? Um ajuste de contas disfarçado de burocracia? O fato é que o maior bloco da cidade, aquele que faz o chão tremer com sua bateria eletrizante e emociona com os clássicos do samba nas vozes de Joãozinho, foi singled out – escolhido a dedo para ser diminuído. Enquanto outros blocos desfilaram com seus espaços garantidos, o Unidos do Pagode teve que lutar contra um muro invisível erguido por quem deveria proteger, e não apagar, nossa cultura. O vedo mini trio e a urgência para que o bloco saisse da Praça não foram apenas falhas logísticas – foram atos de desprezo a um legado que pulsa há mais de duas décadas.
Mas o Unidos do Pagode não se curvou. E aqui entra o brilho da resistência: mesmo com as portas fechadas pela administração, a organização do bloco, liderada por João de Aurea, mostrou que a tradição é mais forte que qualquer veto. E um salve especial a Paulinho de Papau, que, com seu Paredão Papau Tá On, trouxe o som que a prefeitura negou e fez a Avenida explodir em alegria. Parabéns a essa equipe que não deixa a chama apagar, que transforma obstáculos em combustível para uma festa ainda mais grandiosa. Vocês são o verdadeiro coração desse Carnaval.
Enquanto isso, a prefeitura e a Secretaria de Cultura devem uma explicação. Por que o Unidos do Pagode foi alvo dessa exclusão seletiva? Por que um bloco com 26 anos de história, que carrega a memória e a identidade de um povo, foi tratado como estorvo? O poder tem dias contados – vem e vai, como as chuvas de março. Mas a tradição do Unidos do Pagode? Essa é eterna, inabalável, escrita nas ruas por quem sabe que cultura não se cala com proibições.
Que essa afronta fique como lição: o povo não esquece quem tenta apagar sua luz. O Unidos do Pagode segue firme, e em 2026 voltará ainda mais forte. À organização, a Paulinho de Papau e a cada folião que não desistiu: vocês são a prova de que o Carnaval é nosso, e ninguém – ninguém – vai nos tirar isso.
Anselmo Alcântara
