No início da madrugada desta quarta-feira (23/04), a rodovia BA-275 foi bloqueada por manifestantes no trecho entre o distrito de Barrolândia, no município de Belmonte, e a cidade de Itapebi, no sul da Bahia. A manifestação foi organizada por ex-funcionários da empresa Eman Serviços Industriais, que prestava serviços há 17 anos na fábrica de celulose da Veracel.
Segundo os manifestantes, o rompimento abrupto do contrato com a Eman resultou na demissão de aproximadamente 80 trabalhadores, gerando revolta e forte sentimento de injustiça entre os moradores da região. O protesto mantém o trânsito interrompido na rodovia e ganhou repercussão nas redes sociais com relatos emocionados, denúncias e apelos por esclarecimentos.
Indignação após nota da Veracel
O estopim para o protesto teria sido uma nota divulgada pela Veracel à imprensa, na qual a empresa tratou o encerramento do contrato com a Eman como uma decisão mercadológica, segundo os ex-funcionários. Para os trabalhadores, a nota minimizou os impactos sociais da demissão em massa, ignorando o histórico da empresa local e a qualidade dos serviços prestados.
“Sentimos na pele essa discriminação de diversas formas, e não entendemos o motivo da mudança. A Eman sempre entregou com qualidade e recebeu boas pontuações. Agora, de uma hora para outra, não atendemos mais às exigências da Veracel?”, questiona um dos trechos amplamente compartilhados nas redes.
Denúncias de exclusão e discriminação
De acordo com os relatos, coordenadores e gerentes da Veracel teriam atuado diretamente para encerrar o contrato com a Eman, mesmo após processos de cotação finalizados, contratos assinados e pedidos de compra gerados. Os serviços foram supostamente redirecionados a empresas de fora do estado, o que os manifestantes encaram como um ato de exclusão contra uma empresa local — que empregava, majoritariamente, trabalhadores de Belmonte e Itapebi.
Além disso, os ex-funcionários acusam a Veracel de tentar abafar o caso para preservar sua imagem institucional, omitindo publicamente os impactos sociais do encerramento contratual.
“Quem sabe que estamos sem serviço somos nós, que ficamos praticamente parados nos últimos meses”, desabafa um trabalhador.
Resposta da Veracel
Em nota oficial, a Veracel Celulose informou que acompanha a manifestação desde o início e que já havia se colocado à disposição para o diálogo no dia anterior. A empresa afirmou que as contratações variam conforme a demanda e seguem critérios técnicos, com igualdade de oportunidades para todas as empresas.
A Veracel também reiterou que incentiva a contratação de mão de obra local por todas as empresas prestadoras de serviço. Segundo a empresa, muitos moradores de Barrolândia continuam empregados, seja em outras contratadas ou diretamente na Veracel.
Acompanhamento policial e expectativa de diálogo
A Polícia Militar está no local, acompanhando a manifestação e buscando uma solução pacífica para a liberação da via. Até o momento, nem a Veracel nem a Eman Serviços Industriais se pronunciaram oficialmente sobre as acusações de discriminação e exclusão feitas pelos trabalhadores.
O protesto segue como expressão de resistência da comunidade trabalhadora local, que clama por respeito, transparência e justiça diante de um episódio que afeta não apenas os profissionais desligados, mas também a economia regional.
