O Hospital Regional Luís Eduardo Magalhães (HRDLEM), em Porto Seguro, atravessa uma das piores crises de sua história. Um comunicado interno, ao qual nossa reportagem teve acesso, revela que, a partir de 1º de outubro de 2025 (quarta-feira), ficará inviável a continuidade da assistência obstétrica de referência em alto risco gestacional na unidade.
O documento, emitido pela Diretoria Técnica, aponta que a decisão decorre de uma série de problemas que comprometem diretamente a segurança dos pacientes e a atuação dos profissionais de saúde. Entre os principais fatores, estão:
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Déficit grave de médicos obstetras – atualmente, são apenas 7 profissionais, quando o ideal seria, no mínimo, dois por turno de 24 horas;
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Sobrecarga física e psicológica da equipe, que declarou impossibilidade de manter a escala nessas condições;
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Ausência de Diretoria Clínica e Coordenação de Obstetrícia;
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Risco profissional e, principalmente, risco assistencial à população atendida;
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Falta de retorno dos recursos investidos.
Investimento sem resultado
A situação gera revolta, sobretudo porque, segundo apuração, os municípios da 8ª região de saúde – que inclui Porto Seguro, Belmonte, Santa Cruz Cabrália, Itapebi, Itagimirim, Eunápolis, Itabela e Guaratinga – repassam anualmente mais de R$ 20 milhões para o Governo do Estado destinar ao HRDLEM. Somente Porto Seguro contribui com cerca de R$ 9,6 milhões por ano.
Apesar desse volume de recursos, a realidade encontrada por pacientes e profissionais é alarmante:
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Atrasos salariais de dois a três meses para diversos profissionais;
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Falta de medicamentos básicos;
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Alimentação reduzida e de baixa qualidade para pacientes e funcionários;
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Corredores superlotados, com pacientes aguardando atendimento, o que tem provocado a sobrecarga das UPAs de Porto Seguro.
Crise persiste mesmo após alívio da demanda
O quadro torna-se ainda mais preocupante considerando que, com a inauguração do Hospital Municipal do Arraial d’Ajuda, a pressão de atendimentos sobre o HRDLEM diminuiu. Em pouco mais de um ano de funcionamento, a nova unidade já realizou quase 3 mil cirurgias, ajudando a desafogar o Regional.
Mesmo assim, a falta de investimento estadual tem comprometido de forma grave a qualidade dos serviços oferecidos pelo HRDLEM.
População indignada
Moradores e autoridades da região classificam a situação como um verdadeiro descaso com a saúde pública. O que deveria ser um centro de referência em atendimento hospitalar transformou-se, segundo relatos, em um ambiente de desrespeito e desumanidade, que se agrava a cada dia.
Diante da gravidade da crise, cresce a expectativa de que o Governo do Estado da Bahia se manifeste e apresente medidas emergenciais para evitar a interrupção dos serviços obstétricos de alto risco, garantindo o atendimento às mais de oito cidades que dependem diretamente do hospital.
