Usuários denunciam cobrança de R$ 30,70 para veículos de passeio e cobram equiparação com a ‘tarifa de nativo’; concessionária alega limitações legais baseadas em TAC de 2019.
POR PORTAL DO GUAIAMUM
06/04/2026 09h26
A travessia de balsa entre Santa Cruz Cabrália e o distrito de Santo André voltou a ser alvo de polêmica e indignação nesta semana. O estopim foi o desabafo de um morador de Belmonte que, ao utilizar o serviço, sentiu no bolso o peso de uma tarifa que muitos consideram abusiva para quem vive na região.
Nas redes sociais, o internauta belmontense viralizou ao denunciar o pagamento de R$ 30,70 para atravessar um carro de passeio — o mesmo valor aplicado a turistas. A principal queixa é a ausência de um tratamento diferenciado para os residentes de cidades vizinhas que dependem do transporte para rotinas de trabalho e saúde.
Luta pela Equiparação Tarifária
O movimento busca a chamada “tarifa de nativo”, um benefício que hoje é restrito apenas aos moradores de Santa Cruz Cabrália. Devido à proximidade geográfica e à forte integração econômica entre Belmonte e Cabrália, o fluxo de moradores entre os dois municípios é constante.
“É um sentimento de extorsão. Pagamos o mesmo que um turista, sendo que utilizamos o serviço por necessidade, não por lazer”, afirmou o usuário em sua postagem.
Para pressionar por mudanças, o denunciante marcou em sua publicação figuras políticas da cidade, como o vereador Mathyas Barreto e o presidente da Câmara de Belmonte, Luluca da Ambulância, cobrando uma intervenção institucional junto à empresa responsável e aos órgãos reguladores.
O que diz a Concessionária
Procurada para prestar esclarecimentos sobre a exclusão dos moradores de Belmonte do benefício, a concessionária que administra a balsa mantém uma postura rígida.
Segundo a empresa, as regras de tarifação seguem um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2019. O documento estabelece que o desconto é exclusivo para quem comprova residência em Santa Cruz Cabrália. A concessionária alega que:
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Não possui fundamentação legal para estender o benefício por conta própria.
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A inclusão de novos municípios dependeria de uma nova pactuação jurídica e equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
Impacto no bolso e na economia local
Enquanto a solução jurídica não chega, o impacto financeiro trava o trânsito de pessoas e mercadorias. Para quem precisa fazer o trajeto de ida e volta diariamente, o custo mensal pode ultrapassar os R$ 1.200,00, valor proibitivo para a maioria dos trabalhadores locais.
A comunidade agora espera que o Legislativo de Belmonte consiga abrir um canal de diálogo com a prefeitura vizinha e com o Ministério Público para rever as cláusulas do TAC de 2019 e garantir o direito à mobilidade com preço justo para os moradores da Costa do Descobrimento.
