Corpo clínico do HRDLEM suspende consultas e cirurgias eletivas a partir desta sexta (5) por atraso de salários e falta de água potável. Municípios vizinhos sofrem impacto na logística.
Por Portal do Guaiamum 03/06/2026 10h45 — Atualizado há menos de um minuto
O corpo clínico do Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães (HRDLEM), em Porto Seguro, anunciou que entrará em paralisação parcial a partir da próxima sexta-feira, dia 5 de junho.
A decisão, comunicada por meio de nota oficial, foi motivada por um atraso superior a 60 dias no pagamento dos honorários médicos. Segundo os profissionais, a situação tornou-se “insustentável” após sucessivas tentativas de negociação com a gestão da unidade, todas sem sucesso.
A greve parcial deve durar até que os débitos sejam integralmente quitados.
O que muda no atendimento?
A partir de sexta-feira (5), estarão suspensos por tempo indeterminado os seguintes serviços:
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Atendimentos ambulatoriais e consultas de rotina;
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Cirurgias eletivas (procedimentos agendados que não são de urgência);
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Triagem de menor gravidade, especificamente os pacientes classificados com as fichas verdes e azuis.
O que será mantido: Os médicos garantem que os serviços de urgência, emergência e a assistência a pacientes em risco iminente de morte serão mantidos integralmente, em respeito aos princípios éticos da medicina e à segurança da população.
O impacto em Belmonte: o drama das longas viagens por socorro
A crise no HRDLEM atinge em cheio a população de Belmonte. Por ser a unidade de referência para média e alta complexidade na Costa do Descobrimento, o hospital de Porto Seguro é o destino natural de todos os pacientes belmontenses que apresentam quadros de saúde mais graves e que não podem ser resolvidos no município.
Com a estrutura em Porto Seguro operando de forma limitada, a alternativa tem sido o redirecionamento de pacientes para os Hospitais Regionais de Teixeira de Freitas e Ilhéus. Para quem sai de Belmonte, essa mudança transforma a busca por atendimento médico em uma verdadeira maratona asfáltica:
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Logística sufocada: A distância estende drasticamente o tempo de viagem dentro de uma ambulância, o que cansa e fragiliza ainda mais os pacientes debilitados em momentos de extrema urgência.
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Custos para o município: A prefeitura local enfrenta um aumento inevitável nos gastos com combustível e manutenção da frota de veículos de saúde para cobrir os novos trajetos.
Estrutura em colapso: falta de insumos e até água potável
Para além dos salários atrasados, a nota emitida pelos médicos acende um alerta vermelho sobre as condições estruturais e de assistência do hospital regional. O documento denuncia:
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Falta crônica de insumos médico-hospitalares básicos;
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Indisponibilidade prolongada de exames essenciais, como tomografia e ecocardiograma.
A crise atinge inclusive as condições básicas de higiene e consumo. Relatórios da Vigilância Sanitária já haviam apontado sérias preocupações com a qualidade da água da unidade. Na rotina do hospital, o reflexo disso é o desespero de quem aguarda atendimento.
“Estou com meu marido desde as 7h da manhã e tive que sair para comprar água porque aqui não tem”, desabafou, sob anonimato, a esposa de um paciente internado no local.
Relatos de familiares apontam que pacientes estão tendo cirurgias adiadas e tratamentos comprometidos tanto pela escassez de materiais básicos de saúde quanto pela falta de água potável nas dependências do hospital.
Jogo de empurra político
Enquanto o hospital opera no limite, a crise ganha contornos políticos na região.
O Governo do Estado da Bahia tem atribuído a superlotação e o estrangulamento da unidade às gestões municipais, alegando uma alta demanda enviada pelas prefeituras. Por outro lado, os prefeitos das cidades vizinhas rebatem as acusações e cobram soluções imediatas para o hospital de referência regional.
Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) e a empresa responsável pela gestão do Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães não haviam se pronunciado oficialmente sobre o cronograma de pagamento dos médicos ou sobre as medidas para sanar a falta de insumos e água na unidade.
