“Diário de um tornozelado”

imagem da internet

Por Jair Messias Bolsonaro (ou quase isso)

Acordei hoje com um novo acessório no meu visual patriota: uma tornozeleira eletrônica. Confesso que no começo achei que era mais uma daquelas fitas do Senhor do Bonfim — só que high-tech e com Wi-Fi direto no gabinete do Xandão.

Sim, ele mesmo, Alexandre de Moraes, meu estilista judicial. Não bastava bloquear minhas redes, agora resolveu que meu pé também precisava de controle. Diz ele que é pra “monitorar os passos da democracia”. Mas, sinceramente, acho que é inveja do meu carisma com a dona de casa de Guarulhos até o tiozão de tanque cheio.

Ontem, fui dar uma caminhada no quintal e pi-pi-pi-pi-pi! — o negócio apitou mais do que urna eletrônica na apuração de 2022 (brincadeirinha, TSE, não me bane de novo não, tá ok?).

Xandão disse que é medida “cautelar”. Ora, cautela devia ter sido ele ao deixar o cabelo crescer em 2003. Desde aquele dia, nunca mais foi o mesmo.

E tem mais: agora pra entrar no cercadinho virtual tem que pedir autorização. Eu, que sempre andei livre feito um galo de briga na feira de Campina Grande, agora tô igual pombo de praça: vigiado, cercado e proibido de voar.

Mas fiquem tranquilos, meus amigos patriotas! A tornozeleira não tira minha fé, minha pátria, nem minha cloroquina. Cada bip desse aparelho é uma oração a mais por mim feita pelo povo brasileiro — e cada passo monitorado é um passo mais perto do martírio republicano. Já estou até pensando em lançar uma nova moda: “tornozeleira Messias, edição limitada”, com o slogan: “Se é pra cair, que seja de botas (ou tornozeleira), tá ok?”

VEJA TAMBÉM

Leave a Comment