Na manhã desta terça-feira, Complexo do Alemão e Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, transformaram-se em verdadeiras zonas de guerra. Aproximadamente 2,5 mil policiais civis e militares foram mobilizados para a chamada Operação Contenção — a maior das últimas 15 anos no estado e, até o momento, a mais letal.
O alvo: a facção Comando Vermelho (CV), que segundo o governo estadual aumentou seu domínio territorial e armamentista nos últimos anos.
O que aconteceu
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Desde as primeiras horas da operação, os confrontos intensos se espalharam pelas comunidades: barricadas de ônibus incendiados bloquearam vias expressas, helicópteros sobrevoaram, drones foram relatados em uso por criminosos
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Ao fim do dia, o balanço provisório era de 130 mortos, entre eles 4 policiais, além de 81 detidos até o momento da divulgação.
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A mídia especializada destaca que esse número supera em mais do que o dobro os registros da operação anterior mais letal no estado (a ação de 2021 no Jacarezinho, que resultou em 28 mortes).
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Escolas e linhas de ônibus foram suspensas ou desviadas por conta dos bloqueios nas vias.
O governador Cláudio Castro declarou que “o que estamos enfrentando não é mais crime comum, é narcoterrorismo” e que o Estado “vai ocupar para que o cidadão de bem tenha novamente o poder em seu território”.
As críticas e o contraponto
Organizações de direitos humanos, assim como grupos de pesquisa, não engolem com facilidade o discurso oficial. Em nota, 27 ONGs classificaram a operação como uma “matança produzida pelo Estado”, afirmando que ela reforça uma política de segurança baseada na lógica da guerra e da morte nas favelas.
Também o levantamento da Universidade Federal Fluminense (UFF) para o período entre 2007 e 2024, mostra que apenas 1,4% das operações policiais na região metropolitana do Rio foram consideradas “totalmente eficientes”.
Por que agora? O que está por trás
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A facção Comando Vermelho ampliou seu domínio territorial e encontrou brechas para controle de serviços públicos informais, segundo o governo e estudos recentes.
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A ação teria passado por “mais de um ano de investigação e 60 dias de planejamento”, segundo nota oficial.
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Em contrapartida, muitos analistas apontam que o modelo de “grande operação” repetido no Rio tem falhado em produzir efeitos duradouros — e vem alimentando um ciclo de ocupação, retirada, reincidência.
O impacto sobre a população
Para quem vive nos complexos do Alemão e da Penha, o dia foi de terror: tiroteios, casas invadidas, vias bloqueadas, paradas de ônibus suspensas. Pessoas relataram que ficaram reféns dentro de suas casas. As consequências vão além do imediato: medo, trauma, interrupção de serviços básicos.
E agora? O que esperar
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O governo anunciou que permanecerá com atuação intensiva e que a operação “não termina hoje”.
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A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) já anunciou que vai oficiar polícia civil e militar e o Ministério Público cobrando explicações sobre a ação.
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ONGs e pesquisadoras exigem investigação das circunstâncias das mortes, verificação de uso de mandados, desaparecimentos, além de medidas estruturais de segurança pública.
O que esta operação revela
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O Estado do Rio volta à lógica de enfrentamento armado agressivo com grandes combates, alto risco para civis e policiais.
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A segurança pública continua tateando entre “guerra” e “policiamento comunitário”, e o modelo de grandes incursões segue questionado quanto à eficácia real.
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A população das comunidades faveladas segue na linha de fogo ora do crime, ora do Estado — e o debate ganha urgência sobre como garantir direitos básicos, redução de vidas perdidas e mudança de paradigma.
