🌧️ O período chuvoso favorece a proliferação de uma praga silenciosa e perigosa no Extremo Sul da Bahia
Com a chegada das chuvas, Belmonte volta a enfrentar um problema que preocupa moradores e especialistas: a infestação do caramujo africano.
Apesar da aparência inofensiva, esses animais são hospedeiros de parasitas perigosos, capazes de causar infecções graves, incluindo meningite.
📜 De escargot a praga urbana
Os caramujos africanos foram trazidos da África para o Brasil no início da década de 1980 para servir como escargot, mas o negócio não prosperou.
Abandonados na natureza, eles encontraram no clima tropical condições ideais para se multiplicar. Uma única fêmea pode botar até 400 ovos por vez, e sem predadores naturais, se espalharam rapidamente por todo o país.
🗣️ “A infestação está muito grande no país todo e, quando começa a chuva, é que eles aparecem mais. Vários estados estão com essa infestação crescente”, explica Silvana Thiengo, pesquisadora da Fiocruz.
🌍 Infestação se espalha por toda Belmonte
Durante o período chuvoso, os caramujos saem das tocas e tomam muros, quintais e hortas. Em Belmonte, há registros em praticamente todos os bairros.
Uma moradora contou ao Portal do Guaiamum que já espalhou mais de 20 quilos de sal grosso em volta da casa para afastar os invasores — uma medida não recomendada pelos especialistas, pois o sal danifica o solo e o meio ambiente.
🗣️ “Quando chove é uma coisa desesperadora. A gente amanhece com os muros cheios. As acerolas a gente não come mais, porque é caramujo em tudo quanto é canto”, relata Maria do Carmo Sampaio, moradora de Belmonte.
⚠️ Risco real à saúde
O maior perigo está em um verme que vive dentro do caramujo, o Angiostrongylus cantonensis, causador da meningite eosinofílica — uma doença rara, mas potencialmente fatal.
🧬 “Esse verme pode provocar sintomas digestivos, como cólicas e diarreia. O mais grave é quando ele atinge o sistema nervoso, causando meningite, convulsões e até a morte”, alerta o biólogo Kelton Kylson.
Segundo a Fiocruz, desde 2006 foram registrados 40 casos da doença no Brasil, com uma morte confirmada em Pernambuco, mas pode haver subnotificação devido à dificuldade de diagnóstico.
Além disso, os cascos vazios desses caramujos acumulam água parada, transformando-se em criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
🧤 Como eliminar com segurança
Os especialistas reforçam: nunca toque nos caramujos sem proteção.
🗣️ “Ao se deparar com o caramujo, use luvas. Se não tiver, coloque um saco plástico nas mãos”, orienta o pesquisador da Fiocruz.
✅ Passo a passo para o descarte correto:
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Recolha os caramujos com cuidado e coloque em um recipiente.
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Despeje água fervente com cloro sobre eles.
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Descarte em lixo fechado, longe do solo e de animais domésticos.
Evite o uso de sal e produtos químicos que contaminem o ambiente.
🚨 Atenção redobrada
Com o aumento das chuvas, a tendência é que os caramujos africanos se multipliquem ainda mais nas próximas semanas.
O Portal do Guaiamum reforça o alerta às autoridades municipais e à população para que adotem ações de controle ambiental e campanhas educativas, evitando que essa praga cause riscos à saúde e ao meio ambiente.
