Corregedoria entra em ação após sumiço de documentos que podem revelar fraudes milionárias em propriedades rurais
Uma bomba estourou no cartório de Registro de Imóveis de Belmonte, no sul da Bahia. A Corregedoria das Comarcas do Interior do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) foi obrigada a intervir depois de uma denúncia pra lá de grave: um processo físico simplesmente desapareceu de dentro do Fórum da Comarca, como se tivesse atravessado as paredes ou como se alguém quisesse que ele nunca mais fosse encontrado.
O caso envolve suspeitas de irregularidades pesadas, fraudes em matrículas rurais e um suposto esquema que já se arrasta há anos. O Pedido de Providências foi apresentado por Gilis Iran Nervino da Silva, que desde 2018 trava uma batalha solitária para anular registros que ele afirma serem “viciados, fraudulentos e absurdos”.
🔥 Processo some após parecer “devastador” do Ministério Público
Segundo Nervino, o processo administrativo 002/2018 que trata de uma suscitação de dúvida sobre as matrículas rurais sumiu misteriosamente logo após o Ministério Público da Bahia emitir um parecer que, segundo ele, seria “devastador para os meliantes”.
“Para tristeza dos criminosos que o fizeram evaporar, existe uma notificação por mim recebida que prova a existência do Processo 002/2018”, afirmou Nervino, sugerindo que o sumiço não tem nada de coincidência.
Diante da denúncia, o juiz assessor da Corregedoria, Moacir Reis Fernandes Filho, determinou a apuração imediata do desaparecimento do processo e notificou, com urgência máxima, tanto a registradora quanto o juiz corregedor de Belmonte.
A Corregedoria foi clara:
“A afirmação de sumiço de processo físico pende de esclarecimentos urgentes.”
📏 “Matemática mágica” aumenta área registrada quase TRÊS VEZES
No centro da confusão está a Matrícula nº 2.474, da Fazenda Amparo, e sua Averbação nº 45.
Nervino aponta uma “matemática suspeita”: segundo ele, a soma dos quinhões deveria resultar em 154 hectares. Mas após o georreferenciamento, aparece registrada uma área que salta para 410 hectares.
Um aumento de quase 300%.
“É possível registrar um georreferenciamento quase triplicando uma área?”, questiona o denunciante, destacando ainda que a planta georreferenciada tem dimensões totalmente diferentes da original.
E o rombo não para por aí: Nervino afirma que faltam documentos obrigatórios no cartório.
“Não existe nos acervos físicos ou digitais qualquer pasta ou documento que justifique o registro da Av.45 da matrícula 2.474”, denuncia.
⚠️ Sindicância já aberta contra ex-delegatário do cartório
O escândalo ganhou força meses atrás, quando a Corregedora, desembargadora Pilar Célia Tobio de Claro, mandou abrir sindicância contra Percival Pereira da Silva, ex-delegatário do cartório, por omissão e falhas graves no armazenamento de documentos e prenotação de títulos.
A sindicância — nº 0001458-74.2025.2.00.0851 — apura violações à Lei Estadual nº 6.677/1994 e à Lei de Registros Públicos (Lei 6.015/73).
Agora, com o desaparecimento do processo físico, o cerco se fecha.
A Corregedoria deu 10 dias para que a atual registradora e o juiz corregedor expliquem o suposto sumiço do Processo 002/2018.
🕵️♂️ Mistério, fraudes e uma pergunta que ecoa em Belmonte:
Quem fez o processo desaparecer e por quê?
A novela está longe do fim. E cada capítulo parece mais explosivo que o anterior.
