Era uma vez, em uma cidade qualquer , como um circo que abre suas cortinas pela primeira vez, todos os olhos estavam voltados para o grande espetáculo que se desenrolava. A plateia se acomodava nas arquibancadas, esperando ansiosamente pelos números e atrações que, supostamente, iriam transformar aquele lugar em algo melhor, mais seguro e próspero.

E o show começou.

Primeiro, a entrada triunfal do mestre de cerimônias, que com voz estrondosa anunciou o grande espetáculo da mudança. “Preparem-se para o novo!”, bradava ele, enquanto as luzes piscavam e a tenda do circo se erguia. O público aplaudia entusiasticamente, achando que a magia estava prestes a acontecer.

Mas, conforme o espetáculo se desenrolava, algo estranho acontecia. Os artistas não pareciam tão novos assim. O palhaço, que deveria ser a atração mais inovadora, tinha o mesmo nariz vermelho e o mesmo sorriso forçado de sempre. O mágico, ao invés de tirar coelhos da cartola, continuava a fazer os mesmos truques, revelando números grandiosos e, no fundo, promessas vazias. As acrobacias, tão aguardadas, eram apenas velhas rotinas feitas com a mesma precisão de sempre, mas sem ousadia, sem surpresas, sem nada que encantasse de verdade.

O público, que já se acomodava nas arquibancadas, começava a perceber que, por mais que o cenário fosse novo, os artistas continuavam a desempenhar os papéis de sempre. O domador de leões, aquele homem sério e imponente, que há muito tempo dizia que iria controlar as feras da cidade, ainda estava ali, no centro do picadeiro, repetindo as mesmas palavras que todos já tinham ouvido. E, no fundo, as feras continuavam soltas, indomáveis.

A plateia, perplexa, se perguntava: onde está a mudança prometida? A mesma música tocando ao fundo, os mesmos rostos conhecidos assumindo os papéis de sempre. Aqueles que realmente poderiam trazer algo novo e surpreendente estavam à margem, fora do foco da luz. As cadeiras do picadeiro, que deveriam ser ocupadas por novos talentos, estavam tomadas pelas mesmas figuras de sempre.

No camarim, os artistas trocavam de figurino, mas o circo seguia sem novidades. O mestre de cerimônias, ainda com sua pompa, anunciava os “grandes feitos” da administração, mas, na verdade, ninguém via nada de novo acontecendo. “Esperem até o próximo número!”, dizia ele, como se, por trás da cortina, algo realmente estivesse prestes a ser revelado.

Mas o que a plateia sentia era uma frustração crescente, ao perceber que, apesar de todo o alarde, as velhas práticas e os mesmos truques continuavam a dominar o palco. O circo seguia, mas a magia parecia ter desaparecido. O público aplaudia, mas o brilho nos olhos já não estava mais presente. O espetáculo, que deveria ser transformador, soava apenas como uma repetição do que já se conhecia, um jogo de troca de papéis onde nada, de fato, mudava.

A história da gestão pública se tornava, assim, uma grande comédia, uma sucessão de promessas vazias e velhos números. O governo, como um circo que gira em torno de si mesmo, seguia a sua rotina, sem ousar romper com os velhos truques. Quem sabe um dia o verdadeiro espetáculo da mudança aconteça? Mas, por enquanto, tudo o que vemos são acrobacias ensaiadas, risos forçados e promessas que não se concretizam. O circo segue, mas a plateia, desconfiada, espera algo mais.

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