Um desastre ambiental atingiu o distrito de Mogiquicaba, em Belmonte, no sul da Bahia, neste fim de semana. Moradores registraram a morte de tartarugas, peixes, além da contaminação de manguezais por uma substância química ainda não identificada. As praias também amanheceram cobertas por resíduos escuros, crostas pretas e um odor forte e insuportável.
Vídeos e fotos feitos por populares mostram tartarugas mortas sendo devoradas por urubus e peixes boiando na água, o que provocou grande comoção na comunidade. Segundo pescadores locais, há suspeitas de que o material químico possa ter vazado do Terminal Marítimo de Belmonte (TMB), operado pela empresa Veracel Celulose, que funciona na região.
Veracel nega envolvimento
Em entrevista o diretor da Veracel Celulose, Pedro Cardoso, negou qualquer relação da empresa com o desastre. Ele afirmou que a companhia mantém procedimentos ambientais rigorosos e monitoramento constante da orla.
“Temos todos os procedimentos operacionais muito controlados e um centro de recuperação de quelônios no TMB para o monitoramento da orla e reabilitação de animais acidentados por atividades no mar”, disse o diretor.
Cardoso também informou que situações semelhantes já foram comunicadas à Marinha, e defendeu que o caso seja encaminhado aos órgãos de fiscalização ambiental e à Delegacia da Capitania dos Portos de Porto Seguro para apuração técnica e identificação da origem do produto químico.

Inema promete enviar equipe ao local
O coordenador regional do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Vasco Queiroz, confirmou que o órgão tomou conhecimento do caso e vai enviar uma equipe técnica a Mogiquicaba nos próximos dias.
Segundo Queiroz, o instituto também está acompanhando outro problema ambiental em Santo André, distrito de Santa Cruz Cabrália, mas garantiu que a situação de Mogiquicaba será analisada o mais breve possível.
“Ainda não temos detalhes sobre o ocorrido em Belmonte, mas nossa equipe vai ao local para verificar a gravidade e a origem da contaminação”, afirmou.
Moradores pedem providências
A comunidade de Mogiquicaba pede respostas rápidas das autoridades e medidas urgentes de contenção e investigação. O episódio é apontado por ambientalistas como um dos mais sérios desastres ambientais já registrados na região.
Enquanto o Laudo não é divulgado, a preocupação cresce entre pescadores e famílias que dependem diretamente dos recursos naturais dos manguezais e da pesca artesanal para sobreviver.
“Nunca vimos nada igual. O cheiro está muito forte e o mar cheio de sujeira. Precisamos de ajuda”, relatou um morador da região.
