O Deputado “Cidadão do Mundo” e a Conta que Você Paga: Onde está o limite de Cláudio Cajado?

Por: Anselmo Alcântara | Portal do Guaiamum

O que separa um representante do povo de um turista de luxo? No Brasil das desigualdades abismais, a resposta parece estar estampada nos bilhetes de passagens aéreas emitidos pela Câmara Federal.

Enquanto o baiano sofre para abastecer o carro com a gasolina batendo recordes de aumento, fruto de uma política econômica que sufoca o consumo , o deputado Cláudio Cajado (PP) parece viver em uma realidade paralela. Uma realidade onde não há filas, não há inflação e, principalmente, não há poltronas apertadas.

A reportagem do jornal O Globo revelou um escândalo que não é apenas contábil, é moral: R$ 1,3 milhão gastos em apenas quatro meses para bancar o “mochilão VIP” de deputados pelo globo. E o nome de Cajado brilha na lista. Istambul? Ele esteve lá. Nova York? Também marcou presença.

Mas o que realmente estarrece, o que faz o sangue do contribuinte ferver, é o requinte da mordomia. Enquanto o trabalhador se desdobra para manter a dignidade da família, o deputado baiano cruzava o Atlântico acomodado no conforto absoluto da classe executiva. Em abril, integrou a comitiva do presidente da Câmara, Hugo Motta, que não se satisfez com pouco e voou de primeira classe a Boston, custando a bagatela de R$ 45 mil em um único bilhete.

Pergunto eu, e pergunto a você, senhor deputado: Quais benefícios reais o cidadão de Belmonte, de Eunápolis ou de Salvador colheu dessas suas incursões por hotéis internacionais e aeroportos de luxo? Qual projeto de lei, qual melhoria na infraestrutura ou qual alívio no bolso do baiano nasceu dessas poltronas reclináveis financiadas com o nosso dinheiro?

Onde está o “Messias” da política que prometia austeridade? Em Brasília, o governo se engalfinha com o Congresso e com o STF em um jogo de egos que ignora o prato vazio da população. E, nesse cenário, as viagens internacionais de Cajado surgem como o símbolo máximo de uma casta que se desconectou da terra que a elegeu.

Representar o povo não é usar o cargo como passaporte para o privilégio. É sentir a dor do bolso de quem o sustenta. Cláudio Cajado viaja nas nuvens da executiva, enquanto o povo baiano segue com os pés no chão, tentando entender como a conta da elite política ficou tão cara.

É um tapa na cara. É vergonhoso. E é, acima de tudo, inaceitável.

Esta é a minha opinião. E o senhor, deputado, tem algo a dizer ao contribuinte que pagou sua passagem?


Com informações de O Globo e análise editorial do Portal do Guaiamum.

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