Morre Mãe Carmem do Gantois, referência da fé e da cultura afro-brasileira

Morreu aos 96 anos Carmem Oliveira da Silva, conhecida como Mãe Carmem do Gantois, uma das maiores lideranças religiosas do Candomblé na Bahia e no Brasil. A ialorixá faleceu após dias internada em Salvador, em decorrência de complicações de saúde. A informação foi confirmada por familiares e membros do Terreiro do Gantois.

Mãe Carmem era filha de Mãe Menininha do Gantois, uma das figuras mais emblemáticas da história das religiões de matriz africana no país. Iniciada ainda criança no Candomblé, dedicou toda a sua vida à fé, à preservação da ancestralidade e à transmissão dos saberes tradicionais.

Em 2002, assumiu a liderança do Ilé Ìyá Omi Àse Ìyámase, o tradicional Terreiro do Gantois, em Salvador, onde exerceu a função de ialorixá por mais de duas décadas. Durante esse período, tornou-se símbolo de resistência, respeito religioso e valorização da cultura afro-brasileira.

Reconhecida por sua postura serena, firme e acolhedora, Mãe Carmem teve papel fundamental na defesa da liberdade religiosa e no combate à intolerância. Sob sua liderança, o Gantois consolidou-se como um espaço de fé, memória, cultura e ação social.

Ao longo da vida, recebeu diversas homenagens e foi reconhecida por autoridades, artistas e instituições culturais pela importância de sua trajetória e pelo legado deixado para as futuras gerações.

A morte de Mãe Carmem gerou grande comoção entre fiéis, lideranças religiosas e representantes da cultura baiana, que destacaram sua contribuição histórica e espiritual.

Seu legado permanece vivo nos ensinamentos, nos rituais e na força da tradição que ajudou a preservar. Mãe Carmem deixa uma marca profunda na história da Bahia e do Brasil, sendo lembrada como símbolo de fé, sabedoria e ancestralidade.

 

 

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