Queda de sigilo revela contratos milionários para o escritório da esposa do ministro, jatinhos como forma de pagamento, festas de luxo com chef particular e controle de fóruns jurídicos.
Em uma decisão explosiva que chacoalha os bastidores da República, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), removeu o sigilo de um relatório devastador da Polícia Federal. O documento esmiúça as entranhas de uma relação incestuosa entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes.
Enquanto o país assiste estupefato, as evidências descobertas pela PF jogam luz sobre uma teia de interesses cruzados que mistura o poder togado da mais alta Corte do país com esqueciências corporativas, contratos milionários de advocacia, aeronaves de luxo e até o controle de listas de convidados em eventos internacionais.
O modus operandi do sigilo e o festival de cifras
As mensagens recuperadas pela Polícia Federal mostram o cuidado obsessivo do banqueiro para apagar rastros. Vorcaro escrevia as tratativas no aplicativo Notas do celular, fotografava as telas e enviava os arquivos via WhatsApp em formato de visualização única. O material recuperado via cruzamento de logs de metadados expõe o ápice do tráfico de influência: Moraes atuou diretamente na edição de um contrato de nada menos que R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Enquanto a nota burocrática do escritório tenta lavar as mãos alegando consulta prévia sobre impedimentos legais, a realidade dos fatos destoa de qualquer verniz republicano. A PF desenterrou um segundo contrato, este de R$ 50 milhões, firmado em maio de 2025 com a Viking Participações — outra empresa do grupo de Vorcaro.
Nas negociações para a quitação dessa dinheirama, o escândalo ganha ares surreais:
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R$ 40 milhões seriam pagos através da dação (entrega) de cotas de um jatinho e de um helicóptero.
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R$ 10 milhões restantes serviriam para reembolsar despesas operacionais do uso dessas mesmas aeronaves de luxo.
Para Vorcaro, a ordem interna era clara: o pagamento ao escritório da esposa de Moraes era o compromisso “mais importante que temos”, chegando a ameaçar sócios e subordinados de que haveria sérios problemas caso o caixa falhasse.
O “Alex”, as festas em Campos do Jordão e os pitacos em Londres
O relatório da PF escancara que a promiscuidade entre o banqueiro e o ministro ia muito além de honorários advocatícios milionários. Em dezembro de 2023, Vorcaro ordenou que seus subordinados preparessem uma “experiência completa” para convidados “ultra VIP” durante uma viagem de Moraes a Campos do Jordão.
A recepção de luxo incluía:
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Nove convidados e quatro seguranças particulares.
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Um cantor contratado exclusivamente para a ocasião.
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Disponibilização de cavalos e um chef particular de alto padrão.
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Nas conversas interceptadas, o beneficiário principal da mordomia era tratado sob a alcunha de “Alex”, alcunha que a PF cravou pertencer ao próprio ministro.
Como se não bastasse o aparato festivo, a influência de Moraes avançava sobre o planejamento institucional e corporativo do Banco Master. Os diálogos provam que o ministro dava as cartas na definição de quem entrava e quem saía dos fóruns jurídicos organizados pelo banco em Londres. Nomes eram submetidos ao magistrado, que impunha vetos diretos e alterava programações ao lado de Viviane, com Vorcaro confessando sem constrangimentos que precisava “aprovar com Alexandre” a lista de convidados do evento.
A queda do sigilo imposta por André Mendonça expõe, sem filtros, a corrosão das fronteiras entre a jurisdição da mais alta corte do país e o balcão de negócios corporativos, revelando um ecossistema onde o poder da toga parecia se converter em moeda de troca para privilégios estratosféricos.

