Gravações comprometedoras mostram parlamentar cobrando “pedágio” de assessores; o esquema, que sangra os cofres públicos, já está na mira das autoridades.
Por Redação Portal do Guaiamum Vitória da Conquista, BA
A política de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, foi sacudida nesta semana por uma bomba que promete não deixar pedra sobre pedra. Áudios estarrecedores, obtidos pelo jornal A Tarde, ligam diretamente um vereador da base municipal a um esquema sistemático de “rachadinha” — a prática criminosa de exigir parte dos salários de servidores nomeados para o gabinete.
Nas gravações, o parlamentar aparece sem filtros, discutindo percentuais e cobrando os repasses como se gerenciasse uma empresa privada, e não um gabinete mantido com dinheiro do contribuinte. O conteúdo sugere que a permanência dos assessores nos cargos estava condicionada ao “retorno” de parte dos vencimentos para o bolso do político.
O PESO DAS PROVAS
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Negociação explícita: Os áudios detalham a divisão dos valores, com menções diretas a pagamentos de contas pessoais do vereador com o dinheiro desviado.
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Pressão nos gabinetes: Relatos indicam que o clima entre os funcionários era de coação, sob a constante ameaça de exoneração para quem não cumprisse a “quota”.
A DEFESA Em nota, a assessoria jurídica do vereador afirmou que as gravações são montagens ou foram “criminosamente tiradas de contexto” para atingir a imagem do parlamentar. Alegam ainda que não há provas materiais de recebimento de valores, tratando o caso como perseguição política.
O CAMINHO DA JUSTIÇA O Ministério Público da Bahia (MP-BA) já foi acionado e deve instaurar um inquérito civil e criminal. Se comprovado, o vereador pode responder por peculato, concussão e improbidade administrativa, o que leva à perda imediata do cargo e à suspensão dos direitos políticos.
OPINIÃO: O “PENTE FINO” QUE MUITA GENTE TEME
A revelação desse esquema em Vitória da Conquista é apenas a ponta de um iceberg que parece congelar a moralidade em muitas câmaras municipais pelo interior afora. A “rachadinha” virou o método padrão de enriquecimento ilícito para quem confunde o público com o privado.
Se o Ministério Público decidisse hoje passar um verdadeiro pente fino em todas as casas legislativas do interior baiano, veríamos uma transformação digna de filme de terror: muito “santo” que discursa com a Bíblia debaixo do braço e ética na ponta da língua viraria demônio antes do primeiro café. No jogo do poder paroquial, o que não falta é lobo em pele de cordeiro usando o salário do servidor para pagar o luxo da própria família. Resta saber: quem terá coragem de abrir a caixa de Pandora?
