A população de Belmonte enfrenta os reflexos de um problema na estrutura do Instituto Médico Legal (IML) de Porto Seguro. A falta de técnicos de necropsia, que deixaria a unidade sem condições de realizar os procedimentos em determinados períodos do mês, obriga a transferência de corpos para Eunápolis e pode atrasar a liberação para os velórios.
O impacto vai além da logística. Para as famílias de Belmonte, a necessidade de deslocamento entre municípios pode representar mais tempo de espera, dificuldades para organizar o sepultamento e ainda mais sofrimento em um momento já marcado pela dor da perda.
Em um dos casos relatados, a liberação de um corpo demorou aproximadamente 18 horas após a entrada no IML de Porto Seguro. A necropsia precisou ser realizada em Eunápolis, aumentando o tempo necessário para a conclusão dos procedimentos.
Belmonte depende do atendimento regional
Belmonte está entre os municípios atendidos pela unidade de Porto Seguro, que também recebe ocorrências de Santa Cruz Cabrália e de outras localidades da região.
Segundo as informações levantadas, o IML de Porto Seguro fica sem técnicos de necropsia por cerca de dez dias ao mês. O quadro reduzido de profissionais compromete a regularidade do serviço e transfere parte da demanda para Eunápolis.
A situação levanta uma preocupação para os moradores de Belmonte: quando um serviço essencial não consegue funcionar de maneira contínua, quem acaba enfrentando as consequências são as famílias que dependem dele.
Prefeitura e Governo do Estado são cobrados
Atualmente, o setor contaria com dois auxiliares de necropsia cedidos pela Prefeitura de Porto Seguro, após a transferência de um terceiro servidor para outra área.
O secretário da Casa Civil de Porto Seguro, Josemar Siquara, afirmou que a responsabilidade constitucional pela estrutura do Departamento de Polícia Técnica (DPT) é do Governo da Bahia. Segundo ele, o município contribui por meio de convênio com a Secretaria da Segurança Pública, disponibilizando servidores e outros recursos.
A Secretaria da Segurança Pública da Bahia foi procurada para esclarecer quais providências serão adotadas para regularizar as escalas e garantir o funcionamento da unidade, mas não havia respondido até o fechamento do material original.
Para Belmonte, a questão é urgente: as famílias precisam de um serviço público que funcione de forma regular, sem que a dor da despedida seja agravada por esperas prolongadas e dificuldades operacionais.
