Editorial – O Brasil nas mãos de um “Xandão”

O Brasil chegou ao ponto em que não precisamos mais de Congresso, nem de Executivo. Para quê? Temos Alexandre de Moraes. Um só homem manda, desmanda, prende, solta, cala, censura e decide quem pode ou não participar da política. A democracia brasileira virou uma espécie de monarquia de toga, onde a coroa não é de ouro, mas de vaidade.

Jair Bolsonaro hoje é um preso político. Sim, preso político em pleno século XXI, no país que adora se gabar de ser “a maior democracia da América Latina”. Preso não porque roubou bilhões, não porque comandou esquemas de corrupção ou comprou apoio no Congresso com malas de dinheiro. Isso, afinal, é coisa de outros governos que continuam circulando livres, leves e soltos pelos corredores de Brasília. Bolsonaro está preso porque ousou enfrentar o sistema.

E quem aplaude? O PT, claro. O partido que afundou o Brasil em escândalos de corrupção agora finge ser guardião da democracia, enquanto se beneficia de um Supremo cada vez mais alinhado a seus interesses. É curioso: quando petistas são julgados, tudo vira “perseguição política”; quando é Bolsonaro, chamam de “justiça sendo feita”. A coerência nunca foi o forte da esquerda.

E o povo? O povo assiste de camarote, vendo seus direitos serem reduzidos à canetada. Hoje é Bolsonaro, amanhã pode ser qualquer voz que incomode. Porque em um país onde um ministro decide sozinho quem fala, quem cala e quem disputa eleição, já não existe liberdade  existe medo.

Se a democracia brasileira tivesse manual de instruções, estaria escrito: “Proibido discordar de Xandão”. E quem ousar, que prepare as algemas.

É triste, mas a verdade é que Bolsonaro virou o bode expiatório perfeito: incomoda o sistema, tem milhões de apoiadores e representa o oposto do que a velha política deseja. Então, é mais fácil silenciá-lo do que enfrentá-lo nas urnas.

O que está em jogo não é apenas o futuro de Bolsonaro, mas o futuro do Brasil. Se aceitarmos calados que um só ministro se coloque acima da Constituição, em breve não precisaremos mais de eleições. Afinal, para quê votar, se já temos um “supremo governante”?

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