EDITORIAL – O Príncipe Sem Reino: uma novela da política real de Porto Seguro e região

Se a política fosse novela, essa história passaria no horário nobre. Título? “O Príncipe Sem Reino”. Enredo? O filho de um grande cacique político que insiste em acreditar que o sobrenome é passe livre pra cadeira de deputado.

O pai, aquele que já se acha o “Coronel Saruê” da vida real, vive repetindo que “política tá no sangue da família”. Pena que o sangue pode até ser azul, mas o carisma é bege e o povo já cansou de figurantes sem graça.

O rapaz, nosso protagonista (ou seria coadjuvante?), é tipo o Jofrey Baratheon de Game of Thrones: quer o trono, mas não tem talento nem pra discursar em assembleia de condomínio. Papai faz de tudo pra empurrar o menino promete, pede, implora, quase manda bordar faixa de “vote nele, por favorzinho”.

E o povo? Assiste a tudo com pipoca, rindo igual plateia de sitcom. Afinal, já viram esse episódio antes: o filho entra em campanha, o pai banca o herói, e o final é sempre o mesmo um vexame eleitoral digno de reprise no Vale a Pena Ver de Novo.

Dizem que, nos bastidores da Política em Porto Seguro e Região, o patriarca anda ligando pra aliados como quem pede fiado na padaria. A diferença é que agora ninguém quer assinar a conta. O eleitor, mais maduro, já aprendeu que “dinastia política” só funciona em House of the Dragon e olhe lá!

Enquanto isso, o “príncipe herdeiro” tenta gravar vídeos de campanha, mas com o mesmo entusiasmo de um figurante de Malhação de 2007. Falta brilho, falta história, falta tudo só sobra sobrenome e pretensão.

É como se Tião Galinha, de Renascer, tentasse herdar o trono do Coronel Belarmino. O pai, com pose de coronel moderno, quer empurrar o sucessor goela abaixo, mas o povo já cansou de “filho de” que só aparece em época de eleição. A democracia, afinal, não é monarquia e herança política não vem com testamento.

No fim, a novela é boa pra rir. O pai, todo poderoso, força tanto que parece o diretor tentando salvar ator ruim. E o público, fiel e paciente, assiste ao desfecho previsível: mais uma derrota de bilheteria.

Porque, sejamos sinceros: quando o povo não acredita no protagonista, não há marqueteiro, promessinha ou pai mandão que garanta final feliz.

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