EDITORIAL — A curiosa arte de exigir aquilo que não se valoriza

De vez em quando, surgem situações curiosas no mundo da comunicação. Há quem reclame da ausência da imprensa… mas curiosamente se esqueça de avisar que algo estava acontecendo. É quase como preparar uma festa secreta e depois culpar o convidado por não aparecer. Mistérios da vida moderna.

É importante lembrar que imprensa não é intuição, é informação. Não adivinha eventos, não lê pensamentos e, principalmente, não funciona sob pressão emocional de quem só procura os veículos depois que tudo acontece. Comunicação é parceria, não imposição. E respeito é o mínimo.

Há também quem confunda imprensa com funcionário particular, sempre pronto para cobrir qualquer evento, em qualquer lugar, sem convite, sem aviso, sem sequer saber da existência da pauta. Depois, se vê críticas públicas — geralmente feitas com a mesma energia que faltou na hora do convite. Ironias do destino.

A verdade é simples: a imprensa tem um papel gigantesco, poderoso e indispensável. É ela que dá visibilidade, voz, alcance e credibilidade. Mas esse trabalho depende de algo básico chamado diálogo. Quando há respeito, a cobertura vem naturalmente. Quando há parceria, o resultado é bom para todos. Quando há educação e consideração, o jornalismo flui.

Mas quando falta isso… bem, não há muito o que fazer.
Afinal, ninguém pode estar presente em um evento que nunca soube que existiria.

Fica, então, a reflexão:
Se a imprensa é tão importante  e é  talvez o primeiro passo seja tratá-la como tal. Porque respeito não se exige depois; se constrói antes.

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