Por: Anselmo Alcântara
A Bahia está em guerra. Não é uma guerra declarada oficialmente, mas todos nós sabemos que ela existe. Está nos becos de Eunápolis, nas madrugadas do Extremo Sul, nas ruas onde o crime organizado dita as regras, impõe toques de recolher e decide quem vive e quem morre. E enquanto isso, o governador Jerônimo Rodrigues… dança.
Sim, dança. Literalmente. Em meio à pior crise de segurança pública dos últimos anos, com o estado sendo fatiado por facções criminosas, o chefe do Executivo preferiu curtir o forró no Pedrão — como se fosse apenas mais um cidadão comum, e não o responsável direto pela vida de milhões de baianos.
É impossível não ver ironia nesse cenário. De um lado, o povo aterrorizado pela violência. Do outro, o governador sorridente, de chapéu de palha, como se tudo estivesse em perfeita paz. O contraste entre a Bahia real e a Bahia do marketing oficial beira o absurdo. A impressão é clara: enquanto a população agoniza, o governo festeja.
Mas o pior ainda estava por vir. Em vez de apresentar medidas concretas, reforçar o policiamento ou, no mínimo, demonstrar indignação, o governador limitou-se a dizer: “cada um cuida da sua parte, eu cuido da minha.”
Ora, governador, com todo o respeito — qual parte exatamente o senhor está cuidando? A dos eventos? A das lives de palanque? Porque da parte da segurança, o que vemos é omissão. É abandono. É um Estado que parece ter jogado a toalha diante do avanço das facções.
A verdade, nua e crua, é que Eunápolis e o Extremo Sul não estão apenas inseguros — estão em colapso. E isso não se resolve com discursos genéricos ou vídeos sorridentes em festas juninas. Isso exige coragem política, investimentos reais e presença do Estado onde ele sumiu há muito tempo.
O povo baiano não precisa de um governador folclórico. Precisa de um gestor firme, presente, atuante. Que enfrente o problema de frente, mesmo quando isso significa contrariar aliados ou assumir erros. Que entenda que o verdadeiro papel de um líder é proteger — e não entreter.
Enquanto Jerônimo dança, o crime avança. E a Bahia segue à deriva, entregue a sua própria sorte.
