Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o rapper Oruam, de 25 anos, emergiu como uma das figuras mais influentes da nova geração do rap e trap nacional. Filho de Marcinho VP considerado um dos líderes históricos do Comando Vermelho e sobrinho de Elias Maluco, ele atua no cenário musical desde 2021, com hits que chegaram a milhões de streamings e uma carreira marcada por prêmios como o de “Revelação do Trap”. Sua ascensão contrasta com as polêmicas: o uso de símbolos controversos, projetos de lei que visam proibir sua contratação artística e a repercussão de seu estilo de vida ostentativo nas redes sociais, colocou Oruam no centro de debates sobre segurança pública, liberdade de expressão e a aplicação da lei.
Em 22 de julho de 2025, Oruam foi preso preventivamente acusado de tentativa de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação em sua residência, no bairro do Joá, no Rio de Janeiro. Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), ele teria arremessado pedras de grandes dimensões contra os agentes, resultando em lesões em um policial. Além disso, ele é acusado de resistência, desacato, ameaça e dano ao patrimônio público .
A prisão preventiva foi decretada com base na gravidade das acusações e no risco que Oruam representaria à ordem pública, considerando sua suposta ligação com atividades criminosas e sua postura desafiadora frente às autoridades.
A defesa e o debate sobre exceção ou norma?
A defesa afirma que não há provas concretas suficientes que justifiquem a manutenção da prisão preventiva que, por lei, deve ser uma medida excepcional. Alegam que Oruam poderia responder ao processo em liberdade, sem risco demonstrável à ordem pública ou à investigação. Também destacam possíveis elementos de perseguição simbólica, ou o uso da detenção como um gesto político, uma vez que, para muitos, Oruam representa um símbolo cultural e periférico.
Justiça firme ou espetáculo judicial?
Esse caso revela duas facetas contraditórias de nosso sistema: a busca por reforço da autoridade e a pressão midiática por rigor, que podem colocar em segundo plano garantias basilares como o devido processo legal. Se para alguns, a prisão “demonstra que ninguém está acima da lei”, para outros levanta suspeitas sobre populismo punitivo e a instrumentalização da justiça.
Manter Oruam preso sem condenação pode servir à imagem de que a lei é universal, mas também pode fragilizar a confiança em um sistema que deveria proteger direitos fundamentais, independentemente do contexto midiático ou simbólico.
O que está em jogo?
A prisão de Oruam é um espelho da nossa Justiça: um sistema que precisa ser firme sem perder a justiça; contundente sem abdicar da legalidade; eficaz sem sacrificar princípios.
Mais do que perguntar apenas “Por que Oruam ainda está preso?”, devemos questionar: por que ainda lutamos para equilibrar segurança com garantias individuais? Por que, mesmo após tanto debate e discernimento jurídico, seguimos presos a práticas que tensionam a imparcialidade da lei?
