Xadrez de Ferro: O que o ‘sim’ de Jerônimo a Geraldo Jr. revela sobre as rachaduras no PT baiano

Entre o ultimato de Geddel e o veto de Rui Costa, governador escolhe o pragmatismo para evitar o colapso da base aliada às vésperas da eleição.

Por Portal do Guaiamum 04/04/2026 10h15

O anúncio oficial da manutenção de Geraldo Jr. (MDB) na chapa de Jerônimo Rodrigues (PT), feito em pleno aniversário do governador na Arena Fonte Nova, foi muito mais do que um gesto de continuidade. Foi o desfecho de uma “guerra fria” que deixou a cúpula petista em frangalhos e revelou que, na Bahia, o Palácio de Ondina já não joga sozinho.

Abaixo, analisamos os pontos de tensão que quase implodiram a aliança:

 O Ultimato do MDB: A “Faca no Pescoço”

O PT da Bahia esteve, durante semanas, em um beco sem saída. O ex-ministro Geddel Vieira Lima subiu o tom como poucas vezes se viu desde a aliança de 2022. Para o MDB, a vice-governadoria não era um pedido, era uma cláusula de sobrevivência.

Fontes ligadas ao governo afirmam que o recado foi direto: sem a vice, o MDB desembarcaria do governo, levando consigo tempo de TV e prefeituras estratégicas. Jerônimo, que viu o partido balançar, entendeu que enfrentar ACM Neto (União Brasil) com um racha interno seria o caminho mais rápido para a derrota.

O Veto de Rui Costa e o Isolamento do “Pai do Projeto”

O maior derrotado silencioso deste anúncio atende pelo nome de Rui Costa. O ministro da Casa Civil e ex-governador foi a voz mais forte contra a recondução de Geraldo Jr. Rui defendia que o PT precisava de uma chapa com “DNA de esquerda” ou, no máximo, uma composição com o PSD para fortalecer o Senado.

A decisão de Jerônimo em manter Geraldo Jr. é um marco de independência do atual governador em relação ao seu criador político. Pela primeira vez, Jerônimo disse “não” à estratégia de Rui Costa para dizer “sim” à governabilidade imediata.

O “Silêncio de Lula” e o Desgaste Público

A crise de identidade do PT baiano ficou exposta durante a visita de Lula ao estado nesta semana. O fato de Geraldo Jr. ter sido “escondido” ou se ausentado dos palanques principais mostrou um partido perdido entre a militância, que pedia uma chapa puro-sangue, e a realpolitik.

Lula não interveio publicamente, mas o recado de Brasília foi claro: “Resolvam suas brigas domésticas sem respingar na imagem do Presidente”. O anúncio apressado nesta sexta-feira foi a forma que Jerônimo encontrou de estancar o sangramento político que já durava tempo demais.

 Unidade por Conveniência

A chapa está montada, mas o clima não é de festa. O PT da Bahia sai desse processo ciente de que suas decisões agora passam pelo crivo de aliados pesados como o MDB e o PSD. Jerônimo garantiu a foto da unidade na Arena Fonte Nova, mas terá que governar  e fazer campanha  sobre um campo minado de egos feridos e promessas de bastidores que ainda precisarão ser pagas.

VEJA TAMBÉM

Leave a Comment