Assistente Social, Pedagogo, Perito Judicial, Educador e Agente Cultural de Belmonte conquista aprovação no Mestrado em Artes da Universidade Federal do Sul da Bahia.
Belmonte-BA, há histórias que começam com um sonho. Outras começam com uma inquietação: a vontade de fazer alguma coisa pela própria comunidade.
A trajetória de Raí Cruz, natural de Belmonte, no extremo sul da Bahia, reúne um pouco das duas coisas.
Ao longo de quase uma década de atuação profissional, Raí construiu uma caminhada marcada pelo Serviço Social, pela educação, pela defesa de direitos, pela atuação junto às políticas públicas e, cada vez mais, pela cultura. Agora, essa trajetória ganha um novo capítulo: sua aprovação no Programa de Pós-Graduação em Artes – Mestrado da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) – Processos Artísticos e Comunidades.
O resultado oficial do processo seletivo, regido pelo Edital PROPPG nº 07/2026, foi homologado pela Universidade. Raí Cruz aparece entre os candidatos aprovados e classificados. Mais do que uma aprovação acadêmica, a conquista representa a continuidade de uma história construída dentro do território.
A aprovação chega depois de uma trajetória construída entre livros, salas de aula, atendimentos, projetos sociais, processos judiciais, comunidades, instituições culturais e iniciativas de educação.
Agora, o desafio é transformar toda essa experiência em conhecimento acadêmico.
E talvez seja justamente aí que esteja a maior força dessa nova etapa.
Raí não chega ao mestrado apenas com uma formação acadêmica.
Chega carregando experiências vividas.
Carrega as histórias encontradas no Serviço Social.
As experiências da educação.
Os desafios da gestão de projetos.
A realidade das políticas públicas.
O cotidiano das comunidades.
As experiências com a cultura.
E a percepção de quem conhece de perto o território onde essas questões acontecem.
UMA TRAJETÓRIA QUE COMEÇOU NO SERVIÇO SOCIAL
Formado em Serviço Social, atua como Assistente Social, Raí encontrou na profissão um espaço para compreender a realidade social e atuar diretamente sobre situações que envolvem direitos, vulnerabilidades, políticas públicas e cidadania.
Sua experiência profissional passou por diferentes frentes de atuação, aproximando-o de pessoas, famílias e comunidades e permitindo que conhecesse de perto os desafios enfrentados pela população.
Ao longo dos anos, sua atuação também se expandiu para o campo sócio jurídico.

Como Assistente Social, passou a desenvolver trabalhos relacionados à produção de relatórios e estudos sociais, atendimento e acompanhamento de demandas, escuta especializada, implantou programas e serviços nas secretarias de Assistência Social e Educação do município de Belmonte e outras atividades que exigem não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade para compreender diferentes realidades.
A experiência também o levou à atuação como Perito Judicial, ampliando sua presença no campo sócio jurídico e fortalecendo sua compreensão sobre a relação entre sociedade, direitos e Justiça.
Essa caminhada ajudou a construir uma característica que acompanha seu trabalho até hoje: a tentativa de olhar para cada situação não apenas pelo problema apresentado, mas pelo contexto social, familiar, cultural e territorial que existe por trás dele.
DA ASSISTÊNCIA SOCIAL PARA A EDUCAÇÃO
A formação profissional não parou no Serviço Social.
Raí também se formou em Pedagogia, ampliando sua atuação e seu olhar sobre os processos de aprendizagem, formação humana e educação.
A escolha pela educação não aparece como um caminho separado de sua história, mas como uma extensão de uma preocupação que já estava presente em sua atuação social: compreender como o conhecimento pode contribuir para transformar vidas.
Foi nesse percurso que também passou a desenvolver experiências ligadas à formação, orientação, projetos educacionais e preparação de estudantes.
Entre suas experiências, estão iniciativas voltadas à formação de jovens e à preparação para o ingresso na universidade, incluindo trabalhos relacionados às Ciências Humanas e ao ENEM no cursinho ‘Partiu Universidade’, atuando também como professor do Ensino Fundamental II nas Escolas: Prof.° Edgar Santos e Fundação Educacional Pedro Calmon bem como em escolas de Porto Seguro dando aula de iniciação musical em oficinas de flauta doce e percussão em projetos dentro de diversas unidades escolares do município.
Para Raí, educação, cultura e transformação social não são áreas isoladas. São partes de uma mesma realidade.
UMA FORMAÇÃO QUE CONTINUA
A busca pelo conhecimento também aparece na quantidade e na diversidade de formações construídas ao longo de sua trajetória.
Além das graduações em Serviço Social e Pedagogia, Raí possui formações e especializações relacionadas a áreas como Serviço Social, Gestão de Políticas Públicas, Perícia Judicial e Extrajudicial e Serviço Social e Assistência Social na Saúde, Filosofia, Sociologia e Ciências Sociais, além de outras experiências de formação continuada.
Atualmente, também amplia seus estudos em diferentes áreas do conhecimento, incluindo Filosofia e Fonoaudiologia, mantendo uma característica que acompanha sua trajetória: disposição para continuar aprendendo.
Essa busca por formação não acontece apenas para acumular títulos. Ela acompanha uma tentativa de compreender melhor os problemas sociais, as pessoas, a educação, a cultura e o território onde vive e trabalha.
CULTURA: UM NOVO CAMPO DE ATUAÇÃO
Foi justamente na aproximação entre cultura, educação e transformação social que uma nova dimensão da trajetória de Raí começou a ganhar força.
A participação em projetos culturais e o envolvimento com filarmônicas e iniciativas de educação musical fizeram com que a música passasse a ocupar um espaço cada vez maior em sua atuação, pertencente a esse seguimento desde os 12 anos de idade.
Entre as experiências acompanhadas por Raí estão projetos de formação musical, ações voltadas à juventude, organização de iniciativas culturais, elaboração de projetos, captação de recursos e prestação de contas sendo captado por ele nos últimos anos aproximadamente meio milhão de reais, totalizando todas as instituições ao qual ele prestou serviços.
Em projetos ligados às filarmônicas, sua atuação envolve uma área que muitas vezes permanece distante dos palcos, mas que é fundamental para que a cultura aconteça: a organização.
•Projetos precisam ser escritos.
•Recursos precisam ser captados.
•Prestação de contas precisa ser realizada.
•Metas precisam ser cumpridas.
•E, principalmente, as ações precisam chegar às pessoas.
É nesse espaço que sua experiência no Serviço Social, na gestão de políticas públicas e na educação passa a dialogar diretamente com a cultura.
A MÚSICA COMO INSTRUMENTO DE EDUCAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO
Em sua trajetória junto a iniciativas musicais, Raí esteve envolvido com projetos que utilizam a música como ferramenta de formação, convivência e cidadania.
A experiência com projetos de educação musical, incluindo iniciativas desenvolvidas com crianças e adolescentes, aproximou ainda mais sua atuação da realidade cultural da região.
A música deixa de ser apenas uma manifestação artística e passa a ser compreendida também como possibilidade de educação, pertencimento e construção de novas perspectivas.
É nesse ponto que sua trajetória profissional começa a encontrar uma pergunta maior:
O que a arte pode fazer pela vida das pessoas e pelas comunidades onde elas vivem?
É uma pergunta que atravessa sua caminhada e que agora ganha espaço dentro da universidade.
BELMONTE E PORTO SEGURO COMO PARTE DA HISTÓRIA
Apesar de circular por diferentes espaços profissionais e acadêmicos, Belmonte e Porto Seguro permanecem como uma referência fundamental nessa história.
São nesses municípios que grande parte de sua experiência foi construída.
Foi ali que Raí desenvolveu sua atuação profissional, acompanhou realidades sociais, participou de projetos educacionais e se aproximou das manifestações culturais.
Sua trajetória também revela uma realidade comum a muitos profissionais do interior: para avançar na formação acadêmica e profissional, muitas vezes é necessário atravessar distâncias, buscar oportunidades fora e, ao mesmo tempo, continuar conectado às necessidades do lugar de onde se veio.
A aprovação no mestrado, portanto, não representa apenas uma conquista individual.
Ela também simboliza a presença de alguém do território ocupando um espaço de produção de conhecimento dentro de uma universidade federal.
AGORA, O DESAFIO É O MESTRADO EM ARTES
UMA CONQUISTA QUE NÃO TERMINA NA APROVAÇÃO
Ser aprovado em um mestrado é, sem dúvidas, uma conquista.
Mas, para Raí, a aprovação parece representar mais o começo de uma nova caminhada do que o ponto final de uma história.
A universidade agora se torna mais um espaço para transformar experiências em perguntas, perguntas em pesquisa e pesquisa em conhecimento.
Sua trajetória mostra que uma formação pode levar a outra, que diferentes áreas podem dialogar e que Serviço Social, educação, cultura e arte podem estar muito mais próximas do que parecem.
No caminho percorrido até aqui, uma coisa permanece constante: a busca por conhecimento como instrumento de transformação.
E talvez seja essa a principal marca de sua trajetória.
Um profissional que começou sua caminhada pelo Serviço Social, ampliou seu olhar através da educação, encontrou na cultura novas possibilidades de atuação e agora chega ao mestrado em Artes levando consigo as experiências de quem aprendeu, na prática, que transformar uma realidade exige muito mais do que discurso.
Exige presença.
Exige conhecimento.
Exige compromisso.
E, acima de tudo, exige coragem para continuar caminhando.
DE BELMONTE PARA O MUNDO, SEM ESQUECER DE ONDE TUDO COMEÇOU
A história de Raí Silva da Cruz ainda está sendo escrita.
O próximo capítulo será vivido entre pesquisas, aulas, encontros, descobertas e novos desafios no Mestrado em Artes da Universidade Federal do Sul da Bahia.
Mas existe algo que provavelmente continuará presente em cada página dessa trajetória:
Belmonte.
O território que ajudou a formar o profissional. As pessoas atravessaram sua caminhada. As experiências que deram sentido às escolhas.
E a certeza de que conhecimento só ganha verdadeiro significado quando consegue voltar para a sociedade em forma de transformação.
A aprovação no mestrado é, portanto, uma conquista pessoal.
Mas também pode ser lida como uma mensagem para tantos outros jovens e profissionais do interior que ainda acreditam que seus sonhos são grandes demais para o lugar onde nasceram.
São justamente trajetórias como essa que mostram o contrário.
Às vezes, o caminho para a universidade começa muito antes do primeiro dia de aula.
Começa quando alguém decide acreditar que pode ir além.
E, no caso de Raí, essa caminhada saiu de Belmonte, passou pelo Serviço Social, encontrou a educação e a cultura e agora chega às portas do Mestrado em Artes da Universidade Federal do Sul da Bahia.
A história continua.*
