O Brasil amanheceu neste domingo, dia do 97º Academy Awards, com um orgulho que transcende as telas: Ainda Estou Aqui, dirigido pelo genial Walter Salles, não só conquistou três indicações ao Oscar – Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz para Fernanda Torres – como também fez história ao ser a primeira produção totalmente brasileira e falada em português a disputar a cobiçada estatueta de Melhor Filme. E, na noite passada, o sonho se tornou realidade: o filme levou para casa o prêmio de Melhor Filme Internacional, marcando a primeira vitória do Brasil nesta categoria em mais de 60 anos de participações.
Ainda Estou Aqui é mais do que um filme – é um grito de memória, um espelho da resiliência brasileira e uma obra-prima que emociona plateias mundo afora. Baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, o longa conta a história de Eunice Paiva (interpretada com maestria por Fernanda Torres), uma mulher que, após o desaparecimento forçado de seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva, pela ditadura militar em 1971, transforma sua dor em luta por justiça e sustento para seus cinco filhos. A narrativa, delicadamente tecida por Salles, captura a essência de um Brasil que sobreviveu às sombras do autoritarismo com coragem e humanidade.
O que torna essa conquista ainda mais especial é o contexto. Após 26 anos sem uma indicação na categoria de Melhor Filme Internacional – desde Central do Brasil, também de Salles, em 1999 –, o Brasil volta ao palco global com um filme que não apenas resgata um capítulo doloroso de sua história, mas o faz com uma sensibilidade cinematográfica rara. Fernanda Torres, indicada a Melhor Atriz, entrega uma atuação visceral, que ecoa a força de sua mãe, Fernanda Montenegro, única brasileira previamente indicada ao Oscar em 1999. A presença de Montenegro no filme, interpretando Eunice em sua versão mais velha, adiciona uma camada de poesia familiar que transcende gerações.
A crítica internacional não economizou elogios. Desde sua estreia no Festival de Veneza, onde ganhou o prêmio de Melhor Roteiro, até os aplausos em festivais como Vancouver e Santa Bárbara – onde Torres recebeu o Virtuoso Award –, Ainda Estou Aqui acumulou prêmios e corações. No Brasil, o filme já levou mais de 4,1 milhões de espectadores às salas desde novembro de 2024, tornando-se a maior bilheteria nacional desde a pandemia. É um fenômeno que reflete o quanto o público brasileiro se viu na tela, abraçando uma história que fala de luta, perda e, acima de tudo, esperança.
A vitória no Oscar de Melhor Filme Internacional é um marco, mas a indicação a Melhor Filme – algo inédito para um filme em português – é um testemunho do poder universal dessa obra. Walter Salles, com sua direção precisa e emotiva, prova mais uma vez por que é um dos maiores cineastas da atualidade. E o que dizer de Fernanda Torres? Sua Eunice Paiva é um retrato vivo de força feminina, uma performance que já entrou para a história do cinema mundial, mesmo que o Oscar de Melhor Atriz tenha escapado por pouco.
Parabéns ao Brasil, parabéns a Walter Salles, Fernanda Torres, Marcelo Rubens Paiva e toda a equipe de Ainda Estou Aqui. Vocês não apenas colocaram o cinema brasileiro no mapa do Oscar – vocês mostraram ao mundo que nossas histórias merecem ser contadas, ouvidas e premiadas. Que essa vitória seja apenas o começo de uma nova era para nossa arte. O sol brilhou para o Brasil na noite passada, e esse brilho, como nossa tradição, é eterno.
