Quando um político afirma que a imprensa “não presta mais para nada”, ele não está dando opinião. Está confessando fraqueza. Fraqueza moral, política e democrática. É o grito de quem se sente acuado, exposto e incapaz de conviver com o contraditório.
Esse discurso não é novo. É velho, gasto e perigoso. Sempre surge quando a imprensa faz o que deve ser feito: investiga, questiona, denuncia e cobra. Para políticos autoritários, a imprensa só é “boa” quando aplaude, bajula e se cala. Quando pergunta demais, vira inimiga.
Vamos ser claros: quem tenta desmoralizar a imprensa não quer informar o povo quer enganá-lo. Quer governar no escuro, longe dos olhos da sociedade, sem prestação de contas, sem fiscalização e sem vergonha.
A imprensa não existe para proteger reputações frágeis nem para sustentar narrativas convenientes. Existe para expor fatos, gostem ou não. E fato dói. Fato incomoda. Fato derruba discursos vazios.
Dizer que a imprensa “não serve para nada” é cuspir no direito do cidadão de saber como o dinheiro público é gasto, quem mente, quem promete e não cumpre, quem erra e quem paga pelos erros. É tentar calar não um veículo, mas a voz da sociedade.
Políticos passam. Mandatos acabam. Discursos caem no esquecimento.
A imprensa fica. Registra. Arquiva. Cobra. Lembra.
E quando a imprensa incomoda, é porque há algo errado do lado do poder. Ninguém ataca o que não representa ameaça. Ninguém tenta calar quem não tem força.
A verdade é dura:
— Quem governa bem não teme a imprensa.
— Quem age corretamente não ataca jornalistas.
— Quem respeita o povo não tenta silenciar a informação.
A imprensa livre é um obstáculo para a mentira, para o abuso e para a corrupção. Por isso é atacada. Por isso é odiada. Por isso é essencial.
Podem gritar, atacar, desqualificar e tentar intimidar. A imprensa não vai se calar.
Porque enquanto houver poder, haverá fiscalização.
Enquanto houver mentira, haverá denúncia.
E enquanto houver tentativa de silêncio, haverá ainda mais voz.
A imprensa não pede licença ao poder. Ela o vigia.
