EDITORIAL – A BRANCA DE NEVE FORASTEIRA

Certo dia, no pequeno vilarejo de Pueno, surgiu uma forasteira.
Ninguém sabia de onde vinha. Era bonita por fora, tinha sorriso fácil e palavras suaves. Para o povo, parecia alguém doce, gentil, quase enviada pelo destino. Sua aparência encantadora rapidamente conquistou confiança e admiração.

Mas aquela doçura não passava de uma máscara.

Quando estava sozinha, longe dos olhos do vilarejo, revelava quem realmente era. Não uma bruxa de chapéu ou vassoura, mas de alma. A solidão que carregava por dentro a tornava amarga, vazia e dominadora. Incapaz de lidar com seus próprios sentimentos, buscava controlar os outros para esconder o vazio que a consumia.

Para alimentar seu ego, aproximou-se de sete anões  pessoas indefesas, de idade, frágeis. Diante de todos, fingia cuidado e bondade. Mas, na verdade, fazia o que queria, usando aquelas vidas como palco para se mostrar boa, importante e necessária.

Por um tempo, o encanto funcionou.
A máscara enganou.
Mas nenhuma farsa resiste para sempre.

Com o passar dos dias, atitudes estranhas vieram à tona, palavras maldosas escaparam, e o vilarejo começou a enxergar além da beleza e da falsa doçura. A verdade apareceu: por trás do sorriso, havia uma bruxa má, vazia por dentro e movida apenas pelo próprio ego.

Na mesma noite em que foi descoberta, a forasteira desapareceu.
Sumiu pelas montanhas sem deixar rastros.
Nunca mais foi vista.

Alguns dizem que fugiu com vergonha. Outros acreditam que continua vagando por aí, trocando de vilarejo, de rosto e de máscara sempre tentando esconder de si mesma o vazio que carrega.

Moral da história:
Nem toda bondade é verdadeira, e nem toda beleza revela caráter.
Quem usa as pessoas para se engrandecer acaba sendo desmascarado  e quando a verdade aparece, não sobra lugar para ficar

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